Marco Antonio Villa
Folha de S. Paulo, 18 de abril de 2012
O governo federal organizou um bloco que vai da direita conservadora aos sindicatos, mas a oposição, por temer o enfrentamento, fica reduzida
Estamos vivendo um tempo no qual os donos do poder exigem obediência absoluta.
No Congresso, a oposição representa apenas 17,5% das cadeiras. O governo tem uma maioria digna da Arena. Em 1970, no auge do regime militar, o MDB, partido de oposição, chegou a examinar a proposta de autoextinção. Quatro anos depois, o mesmo MDB venceu a eleição para o Senado em 16 dos 22 Estados existentes (no Maranhão, o MDB nem lançou candidato).
Ou seja, a esmagadora maioria de hoje pode não ser a de amanhã. Mas, para que isso aconteça, é necessário fazer algo básico, conhecido desde a antiga Grécia: política.
É nesse terreno que travo o meu combate. Sei que as condições são adversas, mas isso não significa que eu tenha de aceitar o rolo compressor do poder. Não significa também que eu vá, pior ainda, ficar emparedado pelos adversários que agem como verdadeiros policiais do Ministério da Verdade.
Faço essas ressalvas não para responder aos dois comentários agressivos, gratuitos e sem sentido do jornalista Janio de Freitas, publicados nesta Folha nos textos "Nada mais que o Impossível" (1º de janeiro) e "Meia Novidade" (3 de janeiro). Não tenho qualquer divergência ou convergência com o jornalista. Daí a minha estranheza pelos ataques perpetrados sem nenhuma razão (aparente, ao menos).
A minha questão é com a forma como o governo federal montou uma política de poder para asfixiar os opositores. Ela é muito mais eficiente que as suas homólogas na Venezuela, no Equador ou, agora, na Argentina.
Primeiro, o governo organizou um bloco que vai da direita mais conservadora aos apoiadores do MST. Dessa forma, aprova tudo o que quiser, com um custo político baixo. Garantindo uma maioria avassaladora no Congresso, teve as mãos livres para, no campo da economia, distribuir benesses ao grande capital e concessões aos setores corporativos. Calou também os movimentos sociais e sindicatos com generosas dotações orçamentárias, sem qualquer controle público.
Mas tudo isso não basta. É necessário controlar a imprensa, único espaço onde o governo ainda encontra alguma forma de discordância. No primeiro governo Lula, especialmente em 2005, com a crise do mensalão, a imprensa teve um importante papel ao revelar as falcatruas -e foram muitas.
No Brasil, os meios de comunicação têm uma importância muito maior do que em outras democracias ocidentais. Isso porque a nossa sociedade civil é extremamente frágil. A imprensa acaba assumindo um papel de enorme relevância.
Calar essa voz é fechar o único meio que a sociedade encontra para manifestar a sua insatisfação, mesmo que ela seja inorgânica, com os poderosos.
Já em 2006, quando constatou que poderia vencer a eleição, Lula passou a atacar a imprensa. E ganhou aliados rapidamente. Eram desde os jornalistas fracassados até os políticos corruptos -que apoiavam o governo e odiavam a imprensa, que tinha denunciado suas ações "pouco republicanas".
Esse bloco deseja o poder absoluto. Daí a tentativa de eliminar os adversários, de triturar reputações, de ameaçar os opositores com a máquina estatal.
É um processo com tinturas fascistas, que deixaria ruborizado Benito Mussolini, graças à eficiência repressiva, sem que se necessite de esquadrões para atacar sedes de partidos ou sindicatos. Nem é preciso impor uma ditadura: o sufrágio universal (sem política) deverá permitir a reprodução, por muitos anos, dessa forma de domínio.
Os eventuais conflitos políticos são banais. Por temer o enfrentamento, a oposição no Brasil tenderá a ficar ainda mais reduzida e restrita às questões municipais e, no máximo, estaduais.
Marco Antonio Villa, 55, é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
.......... Abaixo, os textos aos quais se refere o articulista
Nada mais que o impossível
Janio de Freitas
Folha de S. Paulo, 1 de janeiro de 2012
Cético desde sempre e para sempre, trago aqui meus desejos situados acima de toda possibilidade para 2012
As coisas que podem ser alcançadas, mude ou não o calendário, não precisam de tantos votos e pedidos na passagem de ano. O impossível desejado, aí sim, vale empenhar uma esperança contra a sua própria certeza. Cético desde sempre e para sempre, por natureza e convicção, trago aqui, para abordar 2012, meus desejos situados acima de toda possibilidade. Poderiam ser milhares, mas os três selecionados já sobrecarregam de desesperança as vãs esperanças.
Os três são simples. Tanto que o primeiro é só o desejo de uma pergunta alheia, que pode mesmo ser silenciosa. Não importaria se a fizesse uma autoridade paulista em nível estadual ou municipal.
É necessária uma explicação preliminar. Embora a riqueza paulista, algumas das favelas de São Paulo estão entre as mais desumanas nas milhares de favelas espalhadas pelo Brasil. Igualam-se, porém, às suas vizinhas menos degradantes nesta peculiaridade: em nenhum outro lugar as favelas são tão atingidas por incêndios como as de São Paulo.
A sequência é assombrosa. Ainda que não para os jornais, que nem se dispõem a substituir uma vulgaridade em suas primeiras páginas (estarei sendo redundante?) por documentos fotográficos da pobreza e da miséria incandescentes, literalmente como o inferno em vida.
A naturalidade com que os poderes públicos acompanham a sequência única de incêndios corresponde à rotina do fogo e da destruição. Vão os bombeiros, "o fogo é muito forte", "estamos tomando todas as providências", depois o rescaldo, as carcaças de fogões e de algumas geladeiras, o chão calcinado -pronto. Agora é aguardar o incêndio seguinte, para que tudo seja igual.
O desejo impossível é, então, o de que em 2012 alguma autoridade estadual ou municipal, sem furtar de seu tempo mais do que rápidos segundos, de repente se fizesse esta pergunta: "Por que será que há tantos incêndios de favelas aí pela Grande São Paulo?" Por que será?
Neste final de ano, o Rio ganhou dois presentes extraordinários. Aliás, extraordinário seria qualquer presente para a cidade que há muito tempo deixara de receber algum. O prefeito Eduardo Paes, cuja administração dinâmica injeta novidades valiosas e variadas em grande parte da cidade, adotou duas decisões muito muito inovadoras.
Uma: estudar a adoção de bondes modernos na região central da cidade e algumas adjacências. A outra: transferências da finalidade de lojas no Leblon (por ora, aí) não dependerão só das exigências burocráticas, mas de uma aprovação especial. Assim será evitado que livrarias, o comércio tradicional e serviços essenciais à vida de bairro continuem desaparecendo, devorados por mais agências bancárias e farmácias, já em número sufocante.
O desejo versão 2012: prefeitos e governadores admitirem não pensar em metrôs, só por serem obras de fácil (e aparente) justificação e alta rentabilidade para os bolsos próprios e alheios. E se interessarem pelo estudo de bondes modernos, tão menos custosos e de tanta eficiência para o público, como provam as deliciosas Amsterdã e San Francisco, entre outras. E ainda o estudo da ONU sobre transporte urbano, que qualificou o bonde moderno como o melhor em todos os sentidos.
Por fim, Marco Aurélio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos e colaborador de jornais, escreve que o best-seller "A privataria tucana", do repórter Amaury Ribeiro Jr., "foi produzido nos esgotos do Palácio do Planalto".
Aí há duas possíveis metáforas e uma informação. As primeiras são "nos esgotos" e o próprio historiador e professor de história. É a informação que justifica o desejo inalcançável: ver provar-se, por qualquer meio inequívoco, que "A privataria tucana" "foi produzido" no Palácio do Planalto, mesmo que na garagem ou no abrigo das emas.
Como os desejos impossíveis não impedem os realizáveis, agradeço a cada leitor a presença de sua leitura, mesmo que por uma só vez, e espero que seja protegido pela sorte em 2012.
..................
Meia novidade
Janio de Freitas
Folha de S. Paulo, 3 de janeiro de 2012
Não é só o PSDB que se repete em São Paulo; o PT também o faz, mas sua repetição contém promessa
O PSDB paulista agita-se, ou melhor, mexe-se, acompanhado pelo jornalismo político como solução contra o marasmo (não o do PSDB, o do calendário político). Novidade à vista? Sem dúvida, em certo sentido.
Mais uma vez os peessedebistas discutem a conveniência partidária de esperar, ou não, que José Serra se defina com clareza entre o que parece que vai e não vai. E assuma a candidatura à prefeitura paulistana, dando início à atividade já atrasada, ou libere o partido para encaminhar alguma perspectiva.
A disposição do PSDB de ainda reviver tal situação, e com calma e cuidados, pode não ser surpreendente, mas é uma novidade na luta das pretensões eleitorais viáveis. Nelas, a procura é a de amarrar o máximo possível com a melhor antecedência.
Há uma particularidade a mais nesse PSDB. O traço marcante na atual atividade dos partidos, considerados como base da vida política, é a perda, por dispensa, de suas identidades. Já em estágio final, como no PMDB, ou em avanço acelerado, como no PSB e no PPS, entre outros. O DEM, que fugia à regra e mudara de nome sem mudar a face, teve facilitada pelo PSD de Kassab, com tantos raptos de demistas, a superação de sua perplexidade.
Em tudo isso, o PSDB manteve-se o PSDB, com suas eminências dizendo as mesmas coisas de ontem, de anteontem e de antes; alheio à grande maioria eleitoral; com as aparências resguardadas no Congresso pelo oposicionismo sem oposição, útil só para lembrar uma ou outra de suas conhecidas concepções. Mas daí não decorreram demonstrações seguras de que tenha reduzido a sua forte potencialidade eleitoral: continua como a oferta mais próxima e confiável para os conservadores em geral. Dilapida-a, porém.
O PSDB volta a discutir o que não pode mais discutir. Ficou evidente, na última eleição presidencial (para não ir mais longe), o seu prejuízo com o tempo perdido enquanto José Serra bloqueava Aécio Neves e não se decidia. E Lula aproveitava para apresentar Dilma a cada recanto do país. Depois, nem bolinha de papel salvaria mais.
Não é só o PSDB, no entanto, que se repete em São Paulo. O PT também o faz -mas, em vez de risco, sua repetição contém promessa. Em boa parte, proporcionada pelo PSDB.
INCORREÇÃO
Em parágrafo sobre a "produção" do livro "Privataria Tucana", do repórter Amaury Ribeiro Jr., atribuída ao Palácio do Planalto por Marco Antonio Villa, dei nome incorreto ao professor de história da Universidade Federal de São Carlos. Mas, por sorte, mantive-o entre seus pares do Império Romano: chamei-o Marco Aurélio Villa. Se bem que o imperador Marco Aurélio, antes de falar e de escrever, tinha o hábito da reflexão -e com isso legou à literatura e ao pensamento suas veneradas "Meditações".
DOIS TIROS
Técnicas da Guerra Fria: no Ocidente foi publicada foto, fornecida por agência, de um foguete provocadoramente disparado por "navio do Irã" no mar de Omã, em frente ao estreito de Hormuz. E mais tarde o comando iraniano informava
não haver ainda iniciado o exercício com disparos.
Folha de S. Paulo, 18 de abril de 2012
O governo federal organizou um bloco que vai da direita conservadora aos sindicatos, mas a oposição, por temer o enfrentamento, fica reduzida
Estamos vivendo um tempo no qual os donos do poder exigem obediência absoluta.
No Congresso, a oposição representa apenas 17,5% das cadeiras. O governo tem uma maioria digna da Arena. Em 1970, no auge do regime militar, o MDB, partido de oposição, chegou a examinar a proposta de autoextinção. Quatro anos depois, o mesmo MDB venceu a eleição para o Senado em 16 dos 22 Estados existentes (no Maranhão, o MDB nem lançou candidato).
Ou seja, a esmagadora maioria de hoje pode não ser a de amanhã. Mas, para que isso aconteça, é necessário fazer algo básico, conhecido desde a antiga Grécia: política.
É nesse terreno que travo o meu combate. Sei que as condições são adversas, mas isso não significa que eu tenha de aceitar o rolo compressor do poder. Não significa também que eu vá, pior ainda, ficar emparedado pelos adversários que agem como verdadeiros policiais do Ministério da Verdade.
Faço essas ressalvas não para responder aos dois comentários agressivos, gratuitos e sem sentido do jornalista Janio de Freitas, publicados nesta Folha nos textos "Nada mais que o Impossível" (1º de janeiro) e "Meia Novidade" (3 de janeiro). Não tenho qualquer divergência ou convergência com o jornalista. Daí a minha estranheza pelos ataques perpetrados sem nenhuma razão (aparente, ao menos).
A minha questão é com a forma como o governo federal montou uma política de poder para asfixiar os opositores. Ela é muito mais eficiente que as suas homólogas na Venezuela, no Equador ou, agora, na Argentina.
Primeiro, o governo organizou um bloco que vai da direita mais conservadora aos apoiadores do MST. Dessa forma, aprova tudo o que quiser, com um custo político baixo. Garantindo uma maioria avassaladora no Congresso, teve as mãos livres para, no campo da economia, distribuir benesses ao grande capital e concessões aos setores corporativos. Calou também os movimentos sociais e sindicatos com generosas dotações orçamentárias, sem qualquer controle público.
Mas tudo isso não basta. É necessário controlar a imprensa, único espaço onde o governo ainda encontra alguma forma de discordância. No primeiro governo Lula, especialmente em 2005, com a crise do mensalão, a imprensa teve um importante papel ao revelar as falcatruas -e foram muitas.
No Brasil, os meios de comunicação têm uma importância muito maior do que em outras democracias ocidentais. Isso porque a nossa sociedade civil é extremamente frágil. A imprensa acaba assumindo um papel de enorme relevância.
Calar essa voz é fechar o único meio que a sociedade encontra para manifestar a sua insatisfação, mesmo que ela seja inorgânica, com os poderosos.
Já em 2006, quando constatou que poderia vencer a eleição, Lula passou a atacar a imprensa. E ganhou aliados rapidamente. Eram desde os jornalistas fracassados até os políticos corruptos -que apoiavam o governo e odiavam a imprensa, que tinha denunciado suas ações "pouco republicanas".
Esse bloco deseja o poder absoluto. Daí a tentativa de eliminar os adversários, de triturar reputações, de ameaçar os opositores com a máquina estatal.
É um processo com tinturas fascistas, que deixaria ruborizado Benito Mussolini, graças à eficiência repressiva, sem que se necessite de esquadrões para atacar sedes de partidos ou sindicatos. Nem é preciso impor uma ditadura: o sufrágio universal (sem política) deverá permitir a reprodução, por muitos anos, dessa forma de domínio.
Os eventuais conflitos políticos são banais. Por temer o enfrentamento, a oposição no Brasil tenderá a ficar ainda mais reduzida e restrita às questões municipais e, no máximo, estaduais.
Marco Antonio Villa, 55, é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
.......... Abaixo, os textos aos quais se refere o articulista
Nada mais que o impossível
Janio de Freitas
Folha de S. Paulo, 1 de janeiro de 2012
Cético desde sempre e para sempre, trago aqui meus desejos situados acima de toda possibilidade para 2012
As coisas que podem ser alcançadas, mude ou não o calendário, não precisam de tantos votos e pedidos na passagem de ano. O impossível desejado, aí sim, vale empenhar uma esperança contra a sua própria certeza. Cético desde sempre e para sempre, por natureza e convicção, trago aqui, para abordar 2012, meus desejos situados acima de toda possibilidade. Poderiam ser milhares, mas os três selecionados já sobrecarregam de desesperança as vãs esperanças.
Os três são simples. Tanto que o primeiro é só o desejo de uma pergunta alheia, que pode mesmo ser silenciosa. Não importaria se a fizesse uma autoridade paulista em nível estadual ou municipal.
É necessária uma explicação preliminar. Embora a riqueza paulista, algumas das favelas de São Paulo estão entre as mais desumanas nas milhares de favelas espalhadas pelo Brasil. Igualam-se, porém, às suas vizinhas menos degradantes nesta peculiaridade: em nenhum outro lugar as favelas são tão atingidas por incêndios como as de São Paulo.
A sequência é assombrosa. Ainda que não para os jornais, que nem se dispõem a substituir uma vulgaridade em suas primeiras páginas (estarei sendo redundante?) por documentos fotográficos da pobreza e da miséria incandescentes, literalmente como o inferno em vida.
A naturalidade com que os poderes públicos acompanham a sequência única de incêndios corresponde à rotina do fogo e da destruição. Vão os bombeiros, "o fogo é muito forte", "estamos tomando todas as providências", depois o rescaldo, as carcaças de fogões e de algumas geladeiras, o chão calcinado -pronto. Agora é aguardar o incêndio seguinte, para que tudo seja igual.
O desejo impossível é, então, o de que em 2012 alguma autoridade estadual ou municipal, sem furtar de seu tempo mais do que rápidos segundos, de repente se fizesse esta pergunta: "Por que será que há tantos incêndios de favelas aí pela Grande São Paulo?" Por que será?
Neste final de ano, o Rio ganhou dois presentes extraordinários. Aliás, extraordinário seria qualquer presente para a cidade que há muito tempo deixara de receber algum. O prefeito Eduardo Paes, cuja administração dinâmica injeta novidades valiosas e variadas em grande parte da cidade, adotou duas decisões muito muito inovadoras.
Uma: estudar a adoção de bondes modernos na região central da cidade e algumas adjacências. A outra: transferências da finalidade de lojas no Leblon (por ora, aí) não dependerão só das exigências burocráticas, mas de uma aprovação especial. Assim será evitado que livrarias, o comércio tradicional e serviços essenciais à vida de bairro continuem desaparecendo, devorados por mais agências bancárias e farmácias, já em número sufocante.
O desejo versão 2012: prefeitos e governadores admitirem não pensar em metrôs, só por serem obras de fácil (e aparente) justificação e alta rentabilidade para os bolsos próprios e alheios. E se interessarem pelo estudo de bondes modernos, tão menos custosos e de tanta eficiência para o público, como provam as deliciosas Amsterdã e San Francisco, entre outras. E ainda o estudo da ONU sobre transporte urbano, que qualificou o bonde moderno como o melhor em todos os sentidos.
Por fim, Marco Aurélio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos e colaborador de jornais, escreve que o best-seller "A privataria tucana", do repórter Amaury Ribeiro Jr., "foi produzido nos esgotos do Palácio do Planalto".
Aí há duas possíveis metáforas e uma informação. As primeiras são "nos esgotos" e o próprio historiador e professor de história. É a informação que justifica o desejo inalcançável: ver provar-se, por qualquer meio inequívoco, que "A privataria tucana" "foi produzido" no Palácio do Planalto, mesmo que na garagem ou no abrigo das emas.
Como os desejos impossíveis não impedem os realizáveis, agradeço a cada leitor a presença de sua leitura, mesmo que por uma só vez, e espero que seja protegido pela sorte em 2012.
..................
Meia novidade
Janio de Freitas
Folha de S. Paulo, 3 de janeiro de 2012
Não é só o PSDB que se repete em São Paulo; o PT também o faz, mas sua repetição contém promessa
O PSDB paulista agita-se, ou melhor, mexe-se, acompanhado pelo jornalismo político como solução contra o marasmo (não o do PSDB, o do calendário político). Novidade à vista? Sem dúvida, em certo sentido.
Mais uma vez os peessedebistas discutem a conveniência partidária de esperar, ou não, que José Serra se defina com clareza entre o que parece que vai e não vai. E assuma a candidatura à prefeitura paulistana, dando início à atividade já atrasada, ou libere o partido para encaminhar alguma perspectiva.
A disposição do PSDB de ainda reviver tal situação, e com calma e cuidados, pode não ser surpreendente, mas é uma novidade na luta das pretensões eleitorais viáveis. Nelas, a procura é a de amarrar o máximo possível com a melhor antecedência.
Há uma particularidade a mais nesse PSDB. O traço marcante na atual atividade dos partidos, considerados como base da vida política, é a perda, por dispensa, de suas identidades. Já em estágio final, como no PMDB, ou em avanço acelerado, como no PSB e no PPS, entre outros. O DEM, que fugia à regra e mudara de nome sem mudar a face, teve facilitada pelo PSD de Kassab, com tantos raptos de demistas, a superação de sua perplexidade.
Em tudo isso, o PSDB manteve-se o PSDB, com suas eminências dizendo as mesmas coisas de ontem, de anteontem e de antes; alheio à grande maioria eleitoral; com as aparências resguardadas no Congresso pelo oposicionismo sem oposição, útil só para lembrar uma ou outra de suas conhecidas concepções. Mas daí não decorreram demonstrações seguras de que tenha reduzido a sua forte potencialidade eleitoral: continua como a oferta mais próxima e confiável para os conservadores em geral. Dilapida-a, porém.
O PSDB volta a discutir o que não pode mais discutir. Ficou evidente, na última eleição presidencial (para não ir mais longe), o seu prejuízo com o tempo perdido enquanto José Serra bloqueava Aécio Neves e não se decidia. E Lula aproveitava para apresentar Dilma a cada recanto do país. Depois, nem bolinha de papel salvaria mais.
Não é só o PSDB, no entanto, que se repete em São Paulo. O PT também o faz -mas, em vez de risco, sua repetição contém promessa. Em boa parte, proporcionada pelo PSDB.
INCORREÇÃO
Em parágrafo sobre a "produção" do livro "Privataria Tucana", do repórter Amaury Ribeiro Jr., atribuída ao Palácio do Planalto por Marco Antonio Villa, dei nome incorreto ao professor de história da Universidade Federal de São Carlos. Mas, por sorte, mantive-o entre seus pares do Império Romano: chamei-o Marco Aurélio Villa. Se bem que o imperador Marco Aurélio, antes de falar e de escrever, tinha o hábito da reflexão -e com isso legou à literatura e ao pensamento suas veneradas "Meditações".
DOIS TIROS
Técnicas da Guerra Fria: no Ocidente foi publicada foto, fornecida por agência, de um foguete provocadoramente disparado por "navio do Irã" no mar de Omã, em frente ao estreito de Hormuz. E mais tarde o comando iraniano informava
não haver ainda iniciado o exercício com disparos.
boa noite
ResponderExcluirParte das Escrituras, sem motivo específico por ter deixado no seu blogger, mas específico pela leitura das Escrituras de Deus que sempre fala ao nosso Ser.
Eu te amarei, ó SENHOR, fortaleza minha.
O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio.
Salmos 18:1-2
Abraços
Jesus Cristo te Ama!
Ele é o Caminho, e a Verdade, e a Vida.